Imagem capa - Narrativas Brasileiras, qual o futuro do Além das Lentes? por Projeto Além das Lentes

Narrativas Brasileiras, qual o futuro do Além das Lentes?

Muitos profissionais utilizam o método “Golden Circle” para organizar sua empresa e/ou até mesmo para explicar suas campanhas de marketing, inclusive, é o padrão encontrado no discurso do Martin Luther King - esse círculo é um gráfico no formato de um alvo que indica do centro para fora: porquê, como e o quê. Tudo vêm sendo muito orgânico em como as coisas aconteceram no projeto e rompemos o círculo (não recomendado, mas acontece): começamos com o quê, descobrimos o porquê e em 2019 o nosso como - partimos para a nossa jornada pelo Brasil com a ideia de conhecer na prática a nossa cultura, compartilhar o máximo dela e somar com as oficinas de fotografia. Saímos com a meta de passar por todos os estados brasileiros, sem dinheiro certo, trocando trabalho por pouso, fazendo freelas incansáveis, gravando a série além das lentes e ganhando muito apoio inesperado. Não conseguimos todos os estados e não conseguimos compartilhar todos os episódios da Série Além das Lentes que estamos produzindo de cada estado, mas estamos fazendo muito para quem não tem financeiro e para quem está no processo de descoberta - E ESTÁ TUDO BEM - é justamente isso que queremos mostrar com a nossa jornada, o que aprendemos com as viagens, em como a nossa cultura de transformar com o próximo ainda existe aqui no Brasil e de como vem capacitando muita gente a criar com os seus sonhos - resistir. 


DADOS DE 2019:

- 06 estados brasileiros;

- 18 caronas de carro, 12 ônibus, 05 aviões e 05 mototáxis;

- 04 Apresentações e Palestras do Projeto;

- 07 Oficinas de Fotografia e 04 Exibições de Cinema em favelas e comunidades indígenas.

- 111 Cadernos Criativos produzidos pelos alunos e entregues;

- 10 Workshop de Fotografia Documental em favelas, comunidades indígenas, empresas e eventos.

- 02 Exposições Fotográficas;

- 01 Gravação de Conteúdo;

- 12 Cursos pessoais com conteúdo para o projeto;

- 14 Trocas de trabalho por residência em 09 lugares;

- 18 Casas de amigos e familiares;

- 01 banheiro público e 01 posto policial.

- 23 trabalhos fotográficos pessoais pagantes e voluntários.


818 pessoas atingidas diretamente com as atividades do projeto, sem mensurar as pessoas que visitaram as exposições e as pessoas que conheci trocando trabalho por pouso.




Primeiro destino de 2019 foi São Paulo, ficamos trocando trabalho por pouso em um hostel e depois fomos para fronteira do Brasil com a Venezuela, para atuar com os refugiados e com as comunidades indígenas que estão recebendo eles. Já passamos por Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul - você pode acompanhar sobre essas experiências no Frangmentos. Muita história ainda será escrita e a cada dia reescrevendo a nossa. 


🌹 PREPARAMOS UM VÍDEO LINDO SOBRE 2019:



Covid-19 e o Além das Lentes


Nossas metas de 2020 eram:

- viajar de carona de caminhão: editar documentário de cada estado para compartilhar no nosso canal do YouTube e encerrar série documental com o episódio dos caminhoneiros, assim iríamos otimizar o nosso deslocamento de um estado para o outro de carona e já produzindo o episódio final, passando com o projeto pelos estados brasileiros que não passamos ainda:

- trocar trabalho por residência em projetos: nesse ano pretendíamos focar somente em projetos, já que trocando trabalho por pouso em hostel acabava consumindo um longo tempo que poderíamos estar produzindo conteúdo. 

- não viajar com tanto peso: diminuir o peso da mochila de equipamento - estava viajando com quatro câmeras e a mochila estava pesando 13 quilos. Preciso muito das câmeras para os alunos, porém preciso muito mais das minhas costas - para não ficar defasado, em cada projeto iríamos fazer campanha para que as pessoas locais fossem doar câmeras que não utilizavam diretamente para o projeto que estaria dando aula, assim eles poderiam continuar as atividades do caderno criativo quando não o além das lentes não estivesse mais. 

- ativar a Vista Livre: em 2019 criamos uma Vakinha para fazer a pré-venda das camisetas da nova coleção do projeto, mas como não atingimos a meta estou trabalhando para juntar dinheiro o suficiente para tal. 






Não somos sustentados pelo governo, não temos patrocínio, estamos sobrevivendo com trabalhos em fotografia e vídeos, trocando trabalho por pouso através da Worldpackers, mas também recebendo muito apoio com as nossas necessidades de materiais e/ou espaço para as aulas - sou grata à isso. É muito além das lentes, é muito mais do que um apertar de botão - é um start para algo muito maior. Muitas pessoas foram além com a gente e o nosso agradecimento vai para cada um que de alguma forma nos apoiou. Cronograma de 2020 até 2021 estava certo para cada mês nos estados que ainda não fomos com o projeto, 2021 seriam os últimos e o encerramento para então residir em São Paulo para focar no sistema prisional. MAS COMO TODO PROJETO INDEPENDENTE, sofremos alterações: estávamos na Bahia quando a pandemia atingiu o mundo com força e veio para mostrar mudanças necessárias.





Há muitos anos venho lutando com o projeto e mesmo isso me satisfazendo como pessoa quando estou nos lugares, estou deixando de lado uma coisa importante: me cuidar. Mesmo com alimentação saudável, ainda faltam algumas coisas da minha saúde que preciso colocar no eixo e isso requer uma qualidade de vida um pouco mais estável, diante disso e vários outros fatores resolvi que a minha vida de mochileira em tempo integral estará dando um freio: vou fixar residência e estarei ainda viajando, mas com menos frequência. O mês de maio de 2020 foi o único mês que fiquei sozinha desde que me mudei para Florianópolis em 2015 e quem me conhece sabe que eu amo uma solitude. Pode ser que tudo isso mude? pode, porque as coisas mudam sem meu controle. Um dia me falaram que o projeto é construído por sonhos, mas não falaram que por trás desse sonho existe uma pessoa, o projeto é construído por realidades que não queremos enxergar. Quando eu residia em Florianópolis ninguém acreditava em nós, ninguém sabia exatamente como e com o que eu trabalhava, isso me incomodava, mas hoje vejo que o que me incomoda mesmo é que as pessoas não medem mais as palavras para falar de coisas que nem cabem a elas. Não me encaixo em nenhum padrão estipulado e é isso que eu gosto, estou bem com isso como uma boa aquariana.



“você só tem um rosto bonito, jamais vai ser fotógrafa”
“cinema não combina contigo”
“essas tatuagens não te representam, você é muito menininha para elas”
“se eu fosse você eu não iria viajar”
“você precisa de dinheiro, Ângela”
“não tenho culpa que o meu projeto tem dinheiro”
(vindo de um plágio)
“nem sempre você é foda”



Que fique bem claro: não estou desistindo do projeto, estou organizando a minha vida e estarei continuando o projeto de forma mais leve como quando comecei a viajar: deixando para trás projetos e pessoas que não acredito, sem cobranças e compartilhando resultados mesmo sem ter dinheiro.

NOVAS METAS DE 2020 e 2021:

- residência fixa em São Paulo, capital: mais conteúdo para compartilhar online, oficinas fixas e vamos viajar com o projeto pelos estados brasileiros que não passamos a cada três meses, assim não viajo com tanto peso e consigo organizar financeiramente para atingir da melhor forma os projetos/alunos.

- viajar de carona de caminhão: vou continuar gravando documentário dos caminhoneiros para disponibilizar online, independente do destino ou oficinas do projeto.

- ativar a Vista Livre: inaugurar loja virtual. 





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