Imagem capa - Série Documental Além das Lentes por Projeto Além das Lentes

Série Documental Além das Lentes

Fotografia documental e com escrita empática eram as bases da série. Algumas histórias já haviam sido contadas no Instagram, até que conhecemos um senhor de oitenta anos que ainda trabalhava de domingo a domingo vendendo algodão doce. Osvaldo foi a primeira persona que senti a vontade de filmar. Estava indo para a gravação do DVD do Dazaranha com a Camerata em Florianópolis, quando no ponto de ônibus esse senhor sentou ao meu lado e de dentro do suporte ele retirou uma garrafa de refrigerante. Eu metida falei para ele que ele precisava substituir por água, ele todo educado me respondeu que passou a vida toda tomando refrigerante. Oitenta anos. Logo começamos a conversar e descobri que ele era natural de Chapecó, minha cidade do coração. Fui para o trabalho e lutei por semanas contra a vergonha de ir filmar ele, até que em um domingo de sol fui para o Parque de Coqueiros e abordei ele. Câmera tremendo, áudio ambiente com som das crianças alto e mesmo assim filmei, o resultado:




Nossas personas aumentaram: sem teto, reciclador, barbeiro, rendeira e cozinheira. A Série Documental Além das Lentes acabou tornando-se uma das atividades desenvolvidas dentro do projeto. Criamos a série como uma forma de protagonizar pessoas que consideram-se invisíveis, mostrar para o mundo as nossas histórias, as nossas culturas e as pessoas que fazem isso acontecer - através do audiovisual. 






O que eram materiais para Instagram, transformei em uma série documental para o YouTube, com 15 minutos por episódio. Quando iniciamos a transformação não imaginávamos que o primeiro episódio seria na Amazônia. Amazônia foi um sonho que descobrimos que tínhamos quando chegamos lá. Tudo foi tão diferente, tudo foi tão novo, tudo foi tão intenso. A ideia de passar dias sem energia, sem água potável, dormir em redes e ficar sem comunicação estava ganhando forma e vida, muita vida. No final das contas, o que achamos que seriam as maiores dificuldades foram os melhores presentes. Conseguimos nos desconectar para nos conectar, olho no olho. Tomar banho era a parte mais divertida do dia, sempre uma aventura. A gente podia sentir os pés gelados do fundo da água, mas o calor em cima. A gente pulou do alto do barco, afundamos canoas, nadamos com botos, tomamos banho com um pôr do sol incrível ao mesmo tempo que chovia. Coisas que só a Amazônia pode explicar.  Íamos dormir cedo, para acordar mais cedo ainda, nem sempre dava certo. Conhecemos uma cultura muito diferente da nossa, cultura em que o amor que prevalece. Ali afundei em um igarapé com a minha câmera, mas passar algumas horas sozinha me fez perceber que era uma preocupação que eu deveria ter somente quando fosse voltar para minha cidade, eu precisava aproveitar aquele momento. No outro dia Deus me abençoou e a minha câmera ligou novamente. Sou alérgica a mosquito e fui para a Amazônia: meu pé infeccionou, me deu febre, baixou a pressão, mas segui firme até o final. Quando retornei para Florianópolis fiquei internada por causa da infecção e o que eu só conseguia fazer era chorar. Eu sentia que não tinha feito o meu melhor trabalho, eu sentia que tudo tinha mudado. Eu não queria mais viver na cultura em que um não ama o outro, em que o dinheiro prevalece. O que eu poderia fazer para mudar tudo isso? 



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Segundo episódio o desafio foi maior. Dessa vez embarcamos em uma aventura na fronteira do Brasil com a Venezuela, em Pacaraima - RR. Lá fomos através da ADRA Brasil e tivemos o apoio do Exército Brasileiro. Com o nosso projeto cultural atingimos diretamente 616 pessoas. A Operação Acolhida serve para ajudar os refugiados da Venezuela com necessidades básicas, desde alimentação até cadastramento de novos documentos, como também suporte para comunidades indígenas que estão recebendo os refugiados. Em 2017 tive uma conversa com o meu irmão mais velho, Guilherme, em que conversamos sobre como chegamos ao tal temido desânimo. Chegamos a conclusão que o "estar em casa" era um dos maiores fatores de não desenvolvimento das comunidades. Imagina você trabalhar todos os dias, intensamente e chegar em casa com condições mínimas de conforto, como por exemplo, não ter um chuveiro com água quente no inverno de 10 graus de SC. Agora consegue imaginar quem não tem uma casa para voltar? Imagina não poder voltar para casa por insegurança e estar em um país estranho? Ser dependente e vulnerável naquela situação? O que você está fazendo pelo próximo?



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Terceiro episódio é sobre a Bahia, ansiosos? Continuem acompanhando nossas redes sociais que vamos estar sempre atualizando!


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